“A vida implica muita dor, e a única dor que podemos evitar é provavelmente a que resulta de tentar evitar a dor.”
R.D. Laing

domingo, 7 de junho de 2009

A Horta

Dizem-me que tenho mãos verdes. Acho que não faço nada especial; as plantas crescem porque querem crescer, é essa a sua natureza. De qualquer modo, sempre me dei bem com as flores em vaso.
Quando mudei para o campo, decidi fazer uma horta. Pobre de mim, lancei mãos à obra sem saber que estava a entrar num maravilhoso mundo novo do qual não percebo nada, mesmo nada.
De início tudo parecia correr bem. Comprei sementes e coloquei-as em tabuleiros e pequenos vasos. Germinaram e transplantei-as para a terra.
Foi na terra que as coisas se complicaram; muitas plantas recusaram-se a crescer, outras desistiram e morreram… E eu sem saber porquê!
Todos os meus vizinhos têm hortas, plantam imensas batatas, algumas couves, alfaces, feijão.
Só um dos meus pés de feijão sobreviveu e está pequenino, raquítico, um quase nada comparado com os dos meus vizinhos.
Os pepinos desistiram de viver. As courgettes ainda resistem. Apenas os rabanetes parecem crescer bem.
Continuo a dedicar-me à horta um bocadinho todos os dias, mas percebo que preciso de ajuda, de dicas, que me ensinem o que fazer.

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