“A vida implica muita dor, e a única dor que podemos evitar é provavelmente a que resulta de tentar evitar a dor.”
R.D. Laing

sábado, 9 de maio de 2009

A história do Capuchinho


A Aurora, 5 anos, caracóis em canudos, a criança mais doce da família, tem um livro com a história do Capuchinho Vermelho à moda do antigamente, em que o lobo não só come mesmo a avó, como também come o Capuchinho.
Uma das ilustrações desse livro mostra no cesto da merenda que o Capuchinho leva para a avó, uma garrafa de vinho. Comentário imediato da Aurora: - A tia Magda é que ia gostar do vinho!
Ainda não referi aqui que a minha irmã Magda é alcoólica. Tenciono escrever sobre o que foi para mim crescer com uma alcoólica no papel de mãe, mas em uma outra ocasião.
Quando a Magda a foi visitar, a Aurora correu para ela com o livro.
- Vês, vês, tia? Tu é que gostas de vinho, não é?
- Não, minha querida. Respondeu a minha irmã que, após meia dúzia de anos a frequentar as reuniões dos AA, continua em fase de negação. – A tia já não bebe vinho.
- Pois, é só branco! Disse a Aurora com a simplicidade dos seus 5 anos e a doçura do seu sorriso.

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