“A vida implica muita dor, e a única dor que podemos evitar é provavelmente a que resulta de tentar evitar a dor.”
R.D. Laing

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A realidade da ex-dependência

A ex-dependência não existe. Uma vez dependente, dependente para toda a vida!
Aprendi muito com os AA. Não que alguma vez tenha frequentado, porque não é o álcool a minha dependência. Mas, há muitos anos, estava a Magda sóbria há dois anos, os AA realizaram uma reunião internacional no Algarve. A Magda foi e convidou-me e a outra irmã nossa a acompanhá-la.
Adorei esse fim-de-semana. Ficámos instaladas no hotel onde se realizava o encontro. Havia reuniões de AA, algumas abertas a não alcoólicos, reuniões de famílias de alcoólicos e, o que gostei mais, as conversas informais entre as pessoas que se cruzavam no hotel ou que se sentavam à mesma mesa às refeições.
Eram conversas cheias de significado. Havia um ambiente que permitia a pessoas que não se conheciam de lado nenhum falar sobre a sua intimidade, partilhar a experiência da recuperação ou a experiência do convívio com alcoólicos.
Lembro-me de um senhor que me disse que a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional.
Nessa altura, vivia profundamente mergulhada na minha doença: a dependência de relações. Li um livro sobre isso chamado “Amar Demais”. É um nome bonito para chamar a uma coisa feia.
Esse livro mudou a minha vida no sentido que foi o primeiro passo do meu processo de cura. Quando percebi que o que se passava comigo, não se passava só comigo, que era uma doença, que tinha um nome, que tinha uma cura… foi uma alegria tão grande!
Atirei-me para a recuperação com quantas forças tinha. Foi difícil, doeu muito, mas senti sempre que a dor era insignificante quando comparada à liberdade que ganhava a cada passo.
Foram anos de psicoterapia. Aprendi muito. Percebi que nunca poderia mudar o meu passado, mas estava nas minhas mãos decidir o meu presente.
Desde essa época até hoje, a minha vida mudou radicalmente. O mais importante: eu mudei. Não há cura sem mudança. Esta é a lição principal de qualquer recuperação.

1 comentário:

Morena disse...

Eu também me considero uma dependente. E múltipla.