Há muitos anos, li um livro chamado “Domingo à Tarde” sobre alguém que estava a morrer. A narrativa era percorrida por uma sensação de tempo suspenso e tristeza.
Ao longo da minha vida, tive muitas vezes essa sensação. Principalmente quando era criança e ia passar o fim-de-semana com as minhas irmãs, ao domingo à tarde sentia a tristeza da antecipação do momento em que voltaria para casa do meu pai e da minha madrasta.
Mais tarde senti o mesmo com o meu filho, antes do processo de adopção ser iniciado, quando ele ainda estava no orfanato e vinha passar os fins-de-semana comigo. Ao domingo, depois do almoço, a expressão dele fechava-se, os olhos perdiam o brilho, e eu sabia muito bem o que ele estava a sentir.
Hoje sinto saudades do meu filho. O processo de adopção já foi concluído, as traquinices da infância já passaram há tanto tempo que já lhes consigo achar graça. As crises da adolescência já pertencem ao passado. Ele cresceu, foi para a Marinha e sinto a falta dele.
“A vida implica muita dor, e a única dor que podemos evitar é provavelmente a que resulta de tentar evitar a dor.”
R.D. Laing
R.D. Laing
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1 comentário:
Os filhos não são nossos, e têm de seguir o seu caminho, e isto é difícil de encaixar, por muito conscientes que sejamos.
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